TEMPO DE AGRADECER

Há muito devia ter parado aqui para agradecer.

Parei para reclamar. Parei para desabafar. Parei para chorar. Parei para pensar. Parei para expressar minha desesperança e meu desespero. Parei para brigar. E na hora em que devia ter voltado para dizer que agradeço por cada palavra – cada uma delas – ter sido ouvida e considerada… Não voltei.

Mas você sabe… Estava vivendo. E que vida!

E sabe também o quanto já agradeci pelos milagres – desde os mais palpáveis e escandalosos até os mais sutis e íntimos – que recebi ultimamente. Milagres que me levaram a crer e sonhar de novo. Hoje, depois de tanto sofrido e tanto aprendido, posso dizer que sou uma pessoa diferente da que imaginei ser um dia… Que cheguei a lugares onde jamais poderia imaginar chegar. Cheguei finalmente a ser a pessoa que eu sou.

A pessoa que sou… Será que é a pessoa que você queria que eu fosse?

Dizem que você não pode se surpreender. Que conhece cada uma de nossas escolhas e que nada pode lhe pegar de supetão. Que predestinou cada um de nós a ser quem somos, e ponto final.

Mas desconfio que você não é de ponto final… E sim de reticências, interrogações, exclamações. E que se surpreende, sim, para o bem e para o mal, com o que somos capazes de fazer. E por isso pode comemorar, comigo, hoje, a minha vida. A vida que você um dia, tão generosamente, quis que eu tivesse.

Desconfio que, criada a sua imagem e semelhança, e procurando durante toda a vida ter um relacionamento próximo, conheça um pouco de você, de sua natureza. E imagino que você, como eu, se veja hoje pensando na pessoa que sou.

Não, não sou perfeita… E nem tenho todos os problemas resolvidos. Pelo contrário… Há tanto ainda por fazer. Mas estou viva. Plenamente viva. Dona da minha vida. Feliz com a minha vida. Senhora da minha vida. E você sabe… Em meu lugar, muitos estariam mortos. No mínimo, zumbis.

Penso que, quando você me embalou em seus sonhos, pensando não só na cor da minha pele, no tom dos meus cabelos, em quem iria cuidar de mim e cruzar comigo… Você queria que eu fosse assim. Vibrante, viva, apaixonada… Plena.

E te agradeço muito por você ter sonhado comigo assim, e por ter me ajudado a realizar o seu sonho. Vendo tantas pessoas perdidas e afastadas do seu ideal para elas, tantas pessoas desperdiçando, dia após dia, a oportunidade de fazer algo bom com suas próprias vidas, tantas pessoas rodando em círculos, fazendo apenas o que outros esperam o que elas façam, sem nunca chegarem a ser elas mesmas… Eu agradeço. E como agradeço.

Agradeço a família que tive, e a que estou construindo. Agradeço a minha inteligência e minha imensa vontade de aprender. Agradeço por, durante toda a minha vida, ter sido confrontada e estimulada a pensar diferente. Agradeço também por ter um trabalho nobre, que é minha paixão e me traz razões para viver. Agradeço, e como agradeço, os amigos – os flutuantes, e os da vida toda. Agradeço também os amores, até mesmo os que me consumiram e quase – quase – me enlouqueceram.

Agradeço também por não gostar de dinheiro, e por isso nunca – eu disse nunca – ter sido esse um fator que me fizesse abdicar de dignidade ou felicidade. Agradeço por não me conformar. Agradeço por não ter vontade de desistir de algumas pessoas, e por ter sido sábia para desistir de outras. Agradeço, e muito, por resistir ao desejo ímpio de querer controlar tudo e todos. Agradeço por conseguir manter a calma nas piores situações. Agradeço por ser resistente a dor. Agradeço pelo meu imenso universo interior. Agradeço por cada talento que um dia você colocou nas minhas mãos, e também pelas coisas que não sou capaz de fazer. Por não me conformar com mediocridades. Por ter aprendido a me respeitar e a saber  meu valor. Agradeço por todas as pessoas boas que me cercam e que me ajudam em tudo isso. Agradeço por não ter medo do diferente, do confronto, da mudança.

Agradeço também pelas coisas do dia a dia. Pela comida. Por ser guardada na entrada e na saída. Pelas soluções apresentadas. Pelas graças e presentes. Pelos sorrisos, pela lua tão linda que aparece de vez em quando no céu. Ela me lembra que a minha existência está intimamente ligada a sua… E que estamos sempre, sempre juntos. Nós dois.

Acima de tudo, agradeço por um dia ter nascido de você.

Eu sou fruto do sonho de Deus.

Por isso, nada pode dar errado.

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PERDÃO

Um dos fundamentos o cristianismo, tema de conversas, e sermões, e reflexões intermináveis… É o perdão.

O perdão, aquilo que você, com seu exemplo, ensinou na prática… E nos pede para fazer sempre em relação àqueles que convivem conosco, àqueles que chamamos “próximos”, ou “irmãos”. Aquilo que você nos pede para implorar a você e aos que magoamos, para nos ensinar a humildade e a simplicidade de alma. Não é algo fácil de se fazer… Pedir perdão… E perdoar.

Não é fácil perdoar a quem não gosta de mim, não me aceita. Mas é possível, especialmente quando deixo a vaidade de lado e concedo aos outros o direito de pensar o que quiserem sobre o que faço ou deixo de fazer, sem que isso me afete, ou me atormente.

Também não é fácil perdoar a quem atenta contra mim, age com maldade, atrapalha minha vida. Menos ainda quem atenta contra os que amo ou contra algo que me é caro – mas deixo pra lá; a vida nunca foi simples e já conto com os ataques de outros, porque a maldade, a mesquinhez e a mediocridade é um fato… E sou grata por ser consciente disso e assim, poder me defender.

Menos fácil ainda é perdoar a mim mesma, embora sempre acabe conseguindo – conheço todas as justificativas, explicações e atenuantes para tudo que faço de errado, e depois de um tempo me culpando… Acabo dando um jeito de prosseguir, entendendo o processo e o erro como parte natural do crescimento.

Às vezes sou afetada e ofendida por ações de pessoas que sequer sabem quem eu sou, que sequer eu conheço. Pessoas que fazem o mal generalizado, aquele que afeta a todos, aquele que traz a descrença no mundo e nas pessoas… Mas isso é fácil perdoar, e até mesmo esquecer. Faz parte do movimento da humanidade. E de repente, o que parecia tão perto parece distante.

Mas o mais difícil pra mim é perdoar a quem mais amo. Isso porque, quem me ama, ou pelo menos diz que me ama, ou pelo menos deveria me amar… Deveria me proteger. Deveria ter cuidado com os meus sentimentos. Deveria pisar em ovos, ser delicado, ser atencioso… Me colocar acima de qualquer outra coisa. Mas na prática, as coisas são diferentes. O amor envaidece. E quando a pessoa sabe que é amada, costuma negligenciar. Costuma abusar. Costuma fazer testes cruéis de limite desse amor. Costuma machucar indefinidamente considerando inesgotável o amor que recebe. Costuma tratar de qualquer jeito… Como se nada fosse. E de repente, estou ali, tomada de mágoa, de raiva. Meu tempo, meus pensamentos, minha alegria – tudo tomado por essa doença que é a falta de perdão.

Não cabe a mim julgar as faltas de ninguém. Assim como espero que não julguem as minhas. E penso que eu também machuco pessoas sem sequer perceber.

Mas é fato que carrego um peso dentro de mim. Um peso que não vou hipocritamente negar. Um peso que  algumas pessoas, algumas daquelas que mais amei e amo na vida, acumularam com suas ações e omissões. Algumas delas nunca mais preciso ver ou ouvir. Com outras, tenho que conviver todos os dias. E quero crer que algumas delas nem sonham o mal que me fizeram e ainda me fazem. E por isso, jamais vão quebrantar meu coração ao me pedir desculpas, ao me pedir que as perdoem. Quero crer que não me magoaram por querer. Mas me magoaram. E eu preciso perdoá-los. Mas não consigo… Muitas vezes nem mesmo quero.

Quanto mais o tempo passa, mais algumas situações ficam claras. Fica claro que nem todas as pessoas falam realmente o que sentem, e mentem quando prometem sentimentos nobres como o amor e a amizade, mentem quando prometem companhia, mentem quando juram nunca fazer o mal premeditadamente. Fica claro que algumas pessoas usam, e outras são usadas. Fica claro a covardia, a inveja, a falta de empatia, a maldade, a preguiça de algumas situações. Fica claro como as nossas incapacidades uns com os outros são capazes de machucar profundamente. E de repente me vejo assim, um tanto quanto amargurada com o mal que me fizeram, e surpresa com o tamanho dessas feridas dentro de mim.

E aí está a sua parte… Em me ajudar, por graça, por seu toque, sempre gentil e suave, a aceitar as limitações dessas pessoas. E a partir dessa aceitação, perdoá-las. Porque só assim conseguirei que me perdoem também quando eu falhar. Porque só assim conseguirei entender o seu amor para conosco. Porque só assim poderei seguir em frente. Me ajuda?

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VERBOS DE 2011 – SONHAR

Estou em uma casinha térrea, pintada de verde escuro, com jardim e floreiras nas janelas. Perto dela outras casinhas, e em cada uma delas, amigos.

O tempo é ameno, o cheiro da casa é doce e agradável. Na cozinha, uma mesa cheia de coisas gostosas. No quintal, mais plantas e muitos brinquedos espalhados. Em toda casa há estantes de livros, muitos livros, de todos os assuntos e tipos. Entre eles, os que eu mesma escrevi.

Estou na rede da varanda de trás, tranquila, ouvindo uma música bem suave ao fundo, em um tempo merecido de descanso depois de uma semana de trabalho intensa e produtiva. Sou feliz com meu trabalho, faço o que gosto, e faço bem feito.  Na rede ao meu lado, sorrindo cúmplice, ele está também. Tão realizado, saudável e feliz quanto eu. As crianças de vez em quando aparecem, correndo e rindo, e voltam a encher a casa com seu barulho.

De vez em quando o telefone toca, e alguns amigos aparece para jantar e passar a noite toda dando risada e falando sobre as coisas da vida. Assim como nossa família, sempre presente, nos almoços de domingo. Todos estão bem e tranquilos.

As dívidas estão pagas, as feridas estão cicatrizadas, os males todos perdoados, o corpo alimentado, o espírito conectado, o ar está puro e nossas consciências estão tranquilas.

Esperança, fé, sonho e amor… Obrigada por me ajudar a recuperar aquilo que eu achei que tinha perdido. E só por isso estou assim, sorrindo, ao ver essas imagens e acreditar que possam ser realidade um dia.

2011… O ano em que voltei a sonhar.

Que 2012 seja um ano de realizações.

“Apesar das ruínas e da morte

Onde sempre acabou cada ilusão

A força dos meus sonhos é tão forte

Que de tudo renasce a exaltação.

E nunca as minhas mãos estão vazias.”

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VERBOS DE 2011 – AGRADECER

Eu estava pensando, há muito que agradecer. Mas muito mesmo. Por mais que eu reclame sempre da vida ( e, convenhamos, às vezes o  negócio é muito hard mesmo ), hoje eu estou muito alegre… Grandes coisas você fez por mim.

As pessoas costumam agradecer pelo óbvio. O pão de cada dia, o livramento, ter chegado ao final da jornada, a superação da dificuldade, a vida, própria e dos queridos… E me junto a elas. Agradeço pelo trivial, pelo itinerário.

Agradeço também por quem você é. Por perdoar, entender, acompanhar, por tudo que fez e vai fazer. Agradeço por essa relação preciosa e bonita, e por conseguir entendê-la de um jeito diferente de boa parte das pessoas que eu conheço.

As pessoas agradecem mais ainda quando recebem um milagre, algo inesperado e difícil. E eu também tenho coisas assim a agradecer. Afinal, não é todo dia que você dá provas de sua existência e cuidado com uma pessoa como fez comigo nos últimos três meses.

Mas fiquei fazendo um exercício imaginativo… E queria falar de dois grupos de coisas pelas quais não costumo agradecer.

Primeiro, obrigada pelos pedidos que você não atendeu… Pelas vezes em que ignorou minha oração. Coisas que eu, na minha ansiedade, desespero e ignorância quis… Mas que não devia querer. Pessoas que eu pedi que ficassem, e que deveriam ter ido mesmo. Situações que eu pedi que fossem mantidas, e depois de desfeitas, percebi o quanto me faziam mal. Coisas que eu implorei pra ter, e que hoje vejo com clareza o quanto me destruiriam. Obrigada por não me atender. Obrigada por não dar tudo que eu quero. Obrigada por colocar o seu querer acima do meu… E pela delicadeza de me mostrar depois o que eu teria perdido de bom… Ou ganhado de ruim.

Por último, obrigada pelas coisas que eu não sei. Sim… Devo ter milhões de coisas ignoradas a agradecer. Aquele atraso de cinco minutos que evitou um acidente de trânsito. Aquela trama que fizeram contra mim, aquilo que me desejaram mal e não me atingiu. As palavras que saíram da minha boca e sem que eu percebesse acalmaram grandes crises. As vezes em que eu fiquei em silêncio e evitei problemas. As pessoas que me fariam mal, e que você afastou de mim ou impediu que eu conhecesse. A comida que eu rejeitei e que me viraria o estômago. O lugar que eu desisti de ir ou onde não consegui chegar, porque ali estaria em perigo. As milhares de doenças que meu corpo foi capaz de combater sem que eu sequer sentisse um leve sintoma. As palavras duras que eu não tive que ouvir porque saí mais cedo, ou cheguei mais tarde. Os milhares de acidentes com as crianças que poderiam ter acontecido e não aconteceram. Aquilo que eu não comprei com o dinheiro que perdi, que talvez me traria prejuízos muito maiores.  São muitos os problemas, males e crises possíveis. E você está lá… Me protegendo, me guiando, me ajudando… Mesmo quando não sei.

Conto as bençãos. E são muitas. OBrigada, obrigada, obrigada.

Soli Deo Gloria

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VERBOS DE 2011 – CRER

Eu bem que tentei viver a minha vida concretamente, baseada apenas no dia de hoje. Sem esperar muito, sem querer muito além do trivial e necessário, sem ver nada de extraordinário, de anormal – apenas o itinerário comum de sempre… Apenas o mediano, o isento, o momento presente. Isso com certeza me isentaria de grandes emoções, grandes dores, grandes problemas. Apenas o básico – respirar, comer, dar conta das tarefas – e nada mais.

Mas como é que se vive assim, sem fé de que algo bom pode acontecer? Como é que eu poderia viver assim, sem entender sua presença em minha vida, sem acreditar que estou protegida, sem acreditar em nada além daquilo que vejo? Não é assim que você me quis… Não foi assim que você me fez.

A fé, essa chama frágil e delicada, tremulou, titubeou, quase apagou… E eu achei que os ventos que estavam batendo acabariam de vez com ela. Mas não… Os ventos a alimentaram, e fizeram crescer uma chama forte, segura, constante. A chama da fé… Que é o que me une a você.

Eu tive que ter fé para acreditar que não ia ser envergonhada. Eu tive que ter fé para superar os ataques que sofri. Eu tive que ter fé para crer em um milagre, para ver portas trancadas sendo abertas apenas pela minha presença perto delas. Eu tive que ter fé para continuar conversando com você… Eu tive que ter fé para achar que tudo o que parecia tão ruim era apenas um tratamento correto que você estava dando, de acordo com tudo que eu mesma tinha pedido. Tive que ter fé para continuar crendo que você não me abandonou, e que tudo que me prometeu um dia, estava providenciando da maneira mais certa… Mais linda.

2011 foi ano em que não pude mais estar em cima do muro. Tive que sentar bem a sua frente e dizer tudo que precisava… Tudo que queria. E tive que ter os olhos bem abertos para ver como você foi ágil, doce e sutil em me atender. Em tudo.

A fé nos reaproximou. A chama não apagou… E continua se mostrando capaz de iluminar, aquecer, transformar tudo ao meu redor.

 

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VERBOS DE 2011 – ORAR

Sabe que neste ano precisei me aproximar um pouco mais de você. Justamente quando eu não tinha condições de conversar sobre tudo que estava havendo comigo… Da maneira como sempre conversamos. Não conseguia falar com você, porque só você sabe o quanto doeram algumas coisas… E o quanto outras foram felizes. Nem eu mesma queria saber o tamanho do que estava explodindo dentro de mim.

Então foi aí que descobri uma coisa bem interessante: o poder da oração. Foi você mesmo quem me disse… Se não pode orar por si mesma, ore pelos outros… E peça aos outros para orarem por você.

E isso fez tantos milagres em minha vida…

Orei por amigos que estavam passando por situações bem duras. Alguns foram restaurados, outros curados. Orei pela saúde do meu namorado, pela mudança de comportamento da minha mãe, pelo livramento de algumas pessoas que amam. Tudo foi atendido – pode ser que alguns não tenham percebido, mas eu percebi.

Mas também foi importante pedir que orassem por mim. Escrever pedidos de oração, e-mails, mandar sinais que diziam, ore por mim, porque eu não consigo… Preciso de ajuda. Foi importante para sinalizar minhas fraquezas e ser amparada… Foi importante para que pessoas que estavam com a cabeça mais fria falassem com você em meu lugar… Foi importante para que eu soubesse que às vezes a ajuda vem de onde menos se espera. Foi importante para essas pessoas também compreenderem um pouco mais sobre como você se relaciona comigo. E eu senti o quanto essas pessoas foram ouvidas em cada passo que dei… Em cada situação que venci… Em cada coisa que tive a comemorar.

Embora saiba desde pequena que é importante orar, foi neste ano que descobri o poder da oração… Aquela que é mais que uma conversa com você… É quando a gente se derrama num monólogo interminável de fé e esperança, pedindo em causa própria… Pedindo uns pelos outros.

Obrigada por ter honrado as minhas orações… Obrigada por ter honrado as orações daqueles que oraram por mim.

 

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VERBOS DE 2011 – RESISTIR… SUPORTAR

Eu prometi – não a você, mas a mim mesma – que escreveria uma reflexão sobre o ano que passou todos os dias desta semana. Identifiquei alguns verbos e pensei que eles podem me ajudar a esclarecer o que foi que aconteceu comigo. Sim, porque algo muito sério aconteceu… A pessoa que escreve hoje a você é bem diferente daquela que escrevia um ano atrás.

E fiquei pensando em uma maneira de resumir o que foram nossas conversas durante esse tempo que passou. Foram muitas. Foram duras. Foram necessárias. Foram surpreendentes. Quero registrá-las. Preciso… Para que a memória não me traia depois.

Sim, você me surpreendeu, e muito. Sabe disso. Mas falamos disso um outro dia…

Hoje, quero lembrar do que foi difícil. É assim que a gente começa… Pelo que parece mais complicado, guardando o melhor pro fim. E frequentemente o que se mostra complicado, no início, garente que tudo fique mais simples depois.

2011 foi um ano de bravos ataques. Me senti muitas vezes como um alvo, colocado em ponto visível e possível, pronto para ser atingido. E as flechas vieram. De dentro da minha casa, onde fui muitas vezes julgada, ignorada e, porque não dizer, humilhada por ser quem sou e acreditar no que acredito. Palavras duras que quase – quase – me fizeram duvidar dos princípios que me mantém de pé. Vieram do meu trabalho, onde a minha paz foi roubada por presenciar e ser envolvida com coisas tão feias como a inveja, a maldade, a preguiça, o desprezo, a falsidade… Coisas que quase – quase – me derrubaram naquilo em que me sentia mais forte. Vieram de quem um dia eu amei, que depois de tanta crueldade, mentira e abandono, quis sair por cima me acusando, me colocando como uma pessoa interesseira e egoísta, fazendo tudo que jurou um dia não fazer quando aceitei confiar mais uma vez… E isso quase… Quase me deixou incapaz de amar de novo. Vieram dos amigos que simplesmente sumiram, me cortaram, não suportaram minha dor ou a minha felicidade. Vieram até de pessoas distantes e estranhas, que se acharam no direito de me magoar a troco de nada. A tudo isso eu suportei… Eu resisti. Quase calada. Tentei, de verdade, entender onde errei, e aprender com isso. Se ainda há algo que não entendi, peço, me esclareça… E o restante – ouça bem… Estou colocando em suas mãos para que se entenda com eles. Porque, ao tentar me destruir, essas pessoas me fizeram mais forte. E agora deixo a verdade e a justiça dessas situações nas mãos dessa coisa maravilhosa que você criou… O tempo.

Mas, fora os ataques dessas pessoas, foi preciso que eu resistisse e suportasse a algumas outras coisas, coisas que não vieram de ninguém, mas foram bem duras de encarar. E, ao olhar para trás, penso como foi que aguentei…

Não sei como aguentei levantar quase todos os dias com dores, as mais variadas, e ainda assim ir trabalhar, e cumprir todos os compromissos do meu dia, deixando muito pouco para trás. Não sei como foi que pude me virar com o orçamento mais apertado, não sei de onde saiu o dinheiro que eu precisava para não deixar de ser uma pessoa honesta que cumpre com os seus compromissos depois de todos os roubos estranhos que me aconteceram. Não sei como foi que dei conta da carga ainda mais pesada de trabalho com dignidade e eficiência. Eu estava ali sempre… Resistindo e suportando.

Mas acima de tudo… Não sei como passei pela prova bem dura que foi ver o homem que eu escolhi pra ser meu companheiro quase morrer ali, bem na minha frente. Não sei como saí andando daquele hospital, embora minhas pernas bambeassem, minhas mãos tremessem e minha cabeça rodasse freneticamente. Não sei como eu pude voltar lá todos os 30 e poucos dias seguintes e sorrir, e pedir que acreditasse, e eu mesma acreditar… Não sei como foi que ouvi todas as notícias, as boas e as ruins, e ainda voltei respirando. Não sei como pude passar por isso… Não depois de tudo que aconteceu antes… Não depois de ter demorado tanto tempo para dar essa chance a mim mesma. Ninguém sabe. Mas eu passei. E hoje até consigo entender um pouco das razões disso tudo. E talvez, só talvez, você agora possa me dar o presente da calmaria… De sossegar esse mar tão bravo.

Na verdade… Eu sei sim, como pude resistir e suportar. Lembro daquele texto, aquela imagem tão linda de São Fracisco de Assis, que fala das pegadas  na areia. Nos dias mais difíceis… Foi você quem me carregou no colo. E eles passaram. Como quase tudo passa.

Em 2012, pode ser que mais desafios venham… Certamente virão cargas para as quais eu terei que servir de suporte. Certamente virão ventos contra os quais terei que me opor para permanecer inteira.

Eu quero que as coisas sejam mais brandas… Quero sair do alvo. Mas se não for possível… Me carrega mais um pouco. No colo. Segura e descansada. Assim continuarei, sempre… Resistindo e suportando.

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